Mark-Ex
Não sei muito bem
como tudo começou.
Já há muito não mais a encontrara
em nenhuma autovia abandonada ou luzidia.
Sei apenas que era tudo muito,
muito surpreendente.
Devagar como monstro.
ou rápido como trem magnético.
Sei talvez
que a abertura do terceiro olho
não era completa.
Quem sabe talvez,
o que se escondia inóspito,
como Solaris enraivecido
atrás da tela da testa,
da fronte dos seus ossos.

Eu a encontrara
pairando serena
com seu estático e ágil
cavalo de asas metálicas cor de chumbo
Seu incompreensível olhar de abóbora,
seus enormes olhos cor de laranja,
com um gosto amargo na ponta da língua
e um cheiro de pimenta-do-reino
em suas orelhas pontiagudas.
E como desprendia uivos imensos,
estridentes e dolorosos aos ouvidos.
De seus sons incompreensíveis,
formei seu nome: Mark-Ex.
Quantas vezes,
muito tarde, me convidava,
me arrastava,
me levava até uma clareia,
um mato de árvores cruas sem folhas.
E ali nós amávamos,
esquecidos de tudo,
noites e dias contínuos
largados e esquecidos do mundo.
Um mundo devastado,
perdido e alucinado
em explosões neutrônicas,
espasmos randômicos.
Mas, não,
eu apenas queria saber
de seus seios lustrosos, sedosos,
que soltavam um néctar de prata,
como diminutas galáxias locais.
E sei apenas que ela me mordia
com mandíbulas cortantes
(ainda sinto as pregas das marcas
de seus dentes em minhas costelas):
me sugava todo com volúpia e desespero.
Depois recolhia
seus grandes olhos tristes
e divagava equações hiperbólicas,
isósceles astrais,
parâmetros estrelares heterodoxos.

Mas, gostei, foi quando,
exauridos e estirados,
saturados de todo contacto físico,
explorados todos os limites
e recantos dos corpos
todas suas minúsculas escamas macias
(e ainda me recordo
da estranheza do meu corpo colado ao seu)
entramos em sua nave magenta,
- esfera achatada nos pólos -
e travamos lentamente
a abóbada por dentro
e acionada por inaudíveis motores
que escapam até a compreensão dos insólitos
movimentos quânticos.
Arremessados
com força e tremores
para além de todo ponto de fuga,
além da relatividade do espaço/tempo,
deixamos para baixo e para trás,
talvez para sempre,
a pequena esfera Terra.
E em algum astro
fora de registro
e de qualquer ordenada de sideral mapa
de quaisquer astrônomos,
nos reencontramos
a divagar devagar
os labirintos de todos os limites
e as reentrâncias de todas as dimensões.

E ela se chamava Mark-Ex.
E ela nunca mais me observou
com seus olhos acres/ocres
cor de cósmica laranja.
como tudo começou.
Já há muito não mais a encontrara
em nenhuma autovia abandonada ou luzidia.
Sei apenas que era tudo muito,
muito surpreendente.
Devagar como monstro.
ou rápido como trem magnético.
Sei talvez
que a abertura do terceiro olho
não era completa.
Quem sabe talvez,
o que se escondia inóspito,
como Solaris enraivecido
atrás da tela da testa,
da fronte dos seus ossos.

Eu a encontrara
pairando serena
com seu estático e ágil
cavalo de asas metálicas cor de chumbo
Seu incompreensível olhar de abóbora,
seus enormes olhos cor de laranja,
com um gosto amargo na ponta da língua
e um cheiro de pimenta-do-reino
em suas orelhas pontiagudas.
E como desprendia uivos imensos,
estridentes e dolorosos aos ouvidos.
De seus sons incompreensíveis,
formei seu nome: Mark-Ex.
Quantas vezes,
muito tarde, me convidava,
me arrastava,
me levava até uma clareia,
um mato de árvores cruas sem folhas.
E ali nós amávamos,
esquecidos de tudo,
noites e dias contínuos
largados e esquecidos do mundo.
Um mundo devastado,
perdido e alucinado
em explosões neutrônicas,
espasmos randômicos.
Mas, não,
eu apenas queria saber
de seus seios lustrosos, sedosos,
que soltavam um néctar de prata,
como diminutas galáxias locais.
E sei apenas que ela me mordia
com mandíbulas cortantes
(ainda sinto as pregas das marcas
de seus dentes em minhas costelas):
me sugava todo com volúpia e desespero.
Depois recolhia
seus grandes olhos tristes
e divagava equações hiperbólicas,
isósceles astrais,
parâmetros estrelares heterodoxos.

Mas, gostei, foi quando,
exauridos e estirados,
saturados de todo contacto físico,
explorados todos os limites
e recantos dos corpos
todas suas minúsculas escamas macias
(e ainda me recordo
da estranheza do meu corpo colado ao seu)
entramos em sua nave magenta,
- esfera achatada nos pólos -
e travamos lentamente
a abóbada por dentro
e acionada por inaudíveis motores
que escapam até a compreensão dos insólitos
movimentos quânticos.
Arremessados
com força e tremores
para além de todo ponto de fuga,
além da relatividade do espaço/tempo,
deixamos para baixo e para trás,
talvez para sempre,
a pequena esfera Terra.
E em algum astro
fora de registro
e de qualquer ordenada de sideral mapa
de quaisquer astrônomos,
nos reencontramos
a divagar devagar
os labirintos de todos os limites
e as reentrâncias de todas as dimensões.

E ela se chamava Mark-Ex.
E ela nunca mais me observou
com seus olhos acres/ocres
cor de cósmica laranja.





